É uma tarde de outubro de 2009. Me encontro com Maria do Céu Whitaker Poças, a cantora Céu, logo após o show do lançamento de Vagarosa, seu segundo álbum, em um apartamento em Pinheiros.
Céu abre um espaço na agenda para falar com a Trip. Mas está com pressa. Logo mais, ela embarca para a Europa para promover o novo trabalho. “Por lá toco em lugares bacanas, pequenos mais legais. Sou considerada uma cantora de jazz”.
É uma visão curiosa dessa cantora que transcende rótulos. Desde o álbum Céu, lançado em 2005, ela trafega por vários estilos. Mais do que isso, trabalha para embaçar a fronteira entre gêneros. O que fica claro em Vagarosa, considerado o melhor disco de 2009 em uma série de listas da imprensa especializada.
O segredo de Vagarosa, que não deixa de ser o de Céu, é saber que as coisas têm peso, volume, lugar. Em cada faixa do disco, mais do que cantar bem, ela busca o canto exato, sem arestas, sem excessos. Também na produção. A música não é aquela que se pauta pelo virtuosismo. Sua virtude justamente é a de deixar as texturas respirarem, deixar que os instrumentos conversem, prestar atenção às dinâmicas e aos espaços.
Talvez essa sabedoria tenha sido aprendida em casa com a mãe artista plástica – Maria Carolina Whitaker, a Carolina Carol Bela de Jorge Benjor – e com o pai, o produtor musical Edgard Poças.
O certo é que vem da convivência com os amigos músicos. A lista é grande, mas podemos começar com seu marido Gui Amabis. A mesma convivência que acaba preenchendo os espaços de Vagarosa, seja com uma parceira com Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, com BNegão ou com Los Sebosos Postizos. É um senso de comunidade que está totalmente alinhado com a melhor música feita em São Paulo nos últimos anos.
É por ter esse respiro e por falar intimamente de assuntos tão universais, de uma maneira tão particular, que Vagarosa é um disco que salta no presente. É um disco para ser ouvido aqui e agora.
Assim como Céu, com seu pé no chão, com seus ouvidos atentos, com sua preocupação com a maternidade, com o presente, é uma pessoa para ser ouvida agora. Então respire fundo e leia os melhores trechos da entrevista.
A turnê do Vagarosa começou pelos Estados Unidos. Como foi?
Foi muito legal, eu curti muito. Porque passou um tempão [desde a última apresentação nos EUA] e eu não sabia como ia estar o público, se ia ter gente, interesse… Esfria, porque tem muita coisa acontecendo por lá. E foi legal, foi surpreendente, rolou. O show era um pouquinho diferente do que o que eu estou mostrando aqui, mais curto e com menos gente, é só aquela banda “Na raça produções”. [risos]
E o repertório é quase todo o Vagarosa e um pouquinho do primeiro disco?
É, o Vagarosa está quase inteiro. Mas “Vira Lata”, por exemplo, é uma música difícil de colocar em show, por causa do cavaquinho excepcional do Rodrigo [Campos], que é absurdo. O Gui, que toca teclado e é um geniozinho, até se arriscou, mas realmente a pegada do Rodrigo é única… Então a gente não está fazendo ela no show.
Como foi o processo de gravação de Vagarosa? Porque embora seja um disco muito coeso, ele parece ter sido gestado em várias partes, com cada música pedindo uma turma diferente.
Eu tenho um gravador tipo esse [aponta o IC recorder do repórter], e ele me acompanha. O que torna difícil dizer exatamente onde começa. Porque tem várias idéias, vários versos e melodias que precisam de tempo. Mas na verdade Vagarosa foi mais sucinto que o primeiro. O primeiro foi um parto. Demorou para saber se não era loucura eu sair compondo. [risos] Vagarosa foi mais na raça. Eu estava grávida, superbarriguda, e trabalhei bastante. Mas quando ela [Rosa Morena] nasceu, fiquei pelo menos uns seis meses só com ela. Depois voltei para o estúdio. No final, nem foi muito tempo de estúdio com o Vagarosa, deve ter sido uns quatro meses. Na verdade é bastante tempo né? Mas é que no primeiro foram uns mil anos, porque tive que ficar na entressafra da publicidade, gravando quando o Beto [Villares] podia, quando não sei quem podia… Acabaram sendo três anos de estúdio.
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Fica aqui uma homenagem tardia ao querido Patrick Swayze, minha paixão adolecente que me fez assistir esse filme 200 vezes e cantar todas as músicas dessa trilha sonora! assisti agora pouco e foi mais forte que mim mesma, tive que postar!
O vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=WpmILPAcRQo
